Ardor e visão instável podem ter relação com menopausa

Criciúma (SC)

A menopausa provoca diversas mudanças no organismo feminino e também pode afetar a saúde dos olhos. Sintomas como ardor, sensação de areia, vermelhidão e oscilações na qualidade da visão podem surgir com maior frequência nessa fase da vida.

Embora muitas mulheres associem esses sinais apenas ao cansaço ou ao envelhecimento natural, especialistas apontam que as alterações hormonais do período pós-menopausa podem impactar diretamente a saúde ocular.

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Dados da International Agency for the Prevention of Blindness (IAPB) indicam que cerca de 55% das pessoas com deficiência visual no mundo são mulheres. A maior expectativa de vida feminina é um dos fatores relacionados a esse cenário, mas as mudanças hormonais também podem influenciar o desenvolvimento de algumas condições oculares.

Entre elas está a síndrome do olho seco, que apresenta maior prevalência em mulheres, especialmente após a menopausa.

Alterações hormonais afetam a superfície dos olhos

Durante a menopausa ocorre redução significativa na produção de estrogênio e progesterona. Esses hormônios também influenciam a estabilidade do filme lacrimal, responsável por proteger e lubrificar a superfície ocular.

Quando há desequilíbrio nessa camada protetora, podem surgir sintomas como irritação ocular, sensação de areia nos olhos, vermelhidão persistente, variações na qualidade da visão ao longo do dia, desconforto no uso de lentes de contato e lacrimejamento excessivo.

Segundo o oftalmologista Neto Pereira, muitas mulheres acabam ignorando esses sinais ou demoram a buscar avaliação especializada.

“Muitas pacientes relatam desconforto nos olhos após os 45 anos e acreditam que isso é apenas consequência da idade. Mas o olho seco é uma condição inflamatória que precisa de diagnóstico e acompanhamento adequados”, explica.

Impactos na rotina

Quando não tratada, a síndrome do olho seco pode interferir em atividades do dia a dia, como leitura prolongada, trabalho em frente ao computador e direção noturna.

Em casos moderados ou mais avançados, a condição pode provocar lesões na córnea e afetar a qualidade de vida.

Além do ressecamento ocular, mulheres no período pós-menopausa também podem apresentar maior risco para algumas doenças oftalmológicas, entre elas:

  • glaucoma de ângulo fechado
  • degeneração macular relacionada à idade
  • doenças autoimunes com manifestações oculares

“Não existem doenças exclusivamente femininas na oftalmologia, mas algumas condições apresentam maior incidência em mulheres, especialmente quando associadas às mudanças hormonais e ao processo natural de envelhecimento”, afirma Pereira.

Importância do diagnóstico precoce

A avaliação oftalmológica regular torna-se ainda mais importante após os 40 anos. Nessa fase, o especialista pode investigar alterações na produção e na qualidade da lágrima, além de rastrear doenças oculares que muitas vezes evoluem de forma silenciosa.

“O grande desafio é que muitas dessas alterações começam de forma discreta. Por isso, o acompanhamento periódico permite identificar problemas precocemente e evitar que evoluam sem tratamento”, destaca o médico.

Entre os exames que podem ser indicados estão:

  • avaliação da produção lacrimal;
  • análise da estabilidade do filme lacrimal;
  • medição da pressão intraocular;
  • exame de fundo de olho.

Esses exames ajudam a identificar alterações oculares que podem se tornar mais frequentes com o envelhecimento e com as mudanças hormonais da menopausa.

Informação e prevenção

Para o especialista, a informação é fundamental para que mulheres reconheçam possíveis sinais e busquem acompanhamento médico.

“A menopausa é um processo natural, mas isso não significa que a mulher precise conviver com desconforto ou riscos evitáveis de perda visual. Hoje contamos com recursos para diagnóstico e tratamentos eficazes. Cuidar da visão também significa preservar autonomia e qualidade de vida”, conclui.

 


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